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【共有】ブラジル新聞(Folha)でプロサバンナ批判紹介・最新研究動向(世界・日本)

ブラジルで最も信頼される新聞であるFolha de São Pauloに、プロサバンナに関する記事が掲載されました。関係者のインタビューの動画も掲載されています。一部英語ですので是非ご覧ください。

以下の記事の内容は、政府側の主張に対し、国際的な研究者・現地の市民社会・農民組織・現地の研究者らが、プロサバンナ事業の問題を、それぞれ「土地収奪の可能性」「契約栽培の問題」「社会的対立の問題」が指摘されています。

モザンビークの最も著名な研究者であるJoao Mosca先生の「表明されているのとは異なる非可視化されたアジェンダがある可能性がある」という点は重要です。

なお、ビデオにも出てくるジュネーブ大学研究員Isabela Nogueira氏のプロサバンナに関する実証研究は非常に重要な貢献です。現地でのプロサバンナ(日本・ブラジル・モザンビーク)関係者へのインタビュー、農村部での契約農業に関する文化人類学的調査を実施した労作。

結論として導き出されているのは、プロサバンナは形成プロセスにおいても現在の修正版においても、「小農中心ではなく排除や依存を生み出す」ということです。ご一読下さい。

●Nogueira, Isabela (2013) “Agricultural systems with pro-poor orientation in Mozambique? ProSAVANA and the forgotten risks of contract farming”, Paper presented at UNU-WIDER’s conference, held in Helsinki on 20–21 September 2013.
http://www1.wider.unu.edu/inclusivegrowth/sites/default/files/IGA/Nogueira_0.pdf

●Nogueira, Isabela & Ollinaho, Ossi (2013) “From Rhetoric to Practice in South-South Development Cooperation: A case study of Brazilian interventions in the Nacala corridor development program”, Working Paper, Institute of Socioeconomics, University of Geneva.
http://www.unige.ch/ses/socioeco/institut/postdoc/Nogueira/NOGUEIRA_OLLINAHO_WorkingPaper_NACALA_CORRIDOR.pdf

なお、近畿大学の池上甲一先生の論文も同様の趣旨の発表をされています。
●池上甲一「大規模海外農業投資による食農資源問題の先鋭化とアグロ・フード・レジームの再編」地域農林経済学会大会(2013年10月20日、岡山大学)


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「ブラジルが支援する農業プロジェクトがモザンビークで批判の的に」
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/11/1378723-projeto-agrario-apoiado-pelo-brasil-e-alvo-de-criticas-em-mocambique.shtml

30/11/2013 - 03h10
Projeto agrário apoiado pelo Brasil é alvo de críticas em Moçambique
ANDREA FAMA CECILIA ANESI
(一部のみ抜粋)

Um projeto de produção de alimentos em Moçambique, com financiamento do Brasil, vem recebendo críticas de pequenos agricultores e entidades do país do leste africano, ex-colônia portuguesa.

Com a ambição de ser um celeiro de alimentos para um dos países mais pobres do mundo, o ProSavana planeja revolucionar a produção agrícola no Corredor Nacala, uma área fértil no norte de Moçambique com 14,5 milhões de hectares de terras (área equivalente ao Ceará).

(…)

O objetivo é aumentar a produção de alimentos para o mercado interno e exportar o excedente, mas Brasil e Japão (outro financiador do ProSavana) vêm recebendo criticas por estarem interessados apenas em promover o cultivo de produtos para exportação e biocombustíveis --o que os dois países negam.
Em maio deste ano, 23 entidades religiosas, agrárias e e de direitos humanos moçambicanas, além de 43 organizações internacionais, enviaram uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff, a seu colega moçambicano, Armando Guebuza, e a Shinzo Abe, premiê do Japão.

Nela, as entidades apontam risco de "séria e iminente ameaça de usurpação de terras das populações rurais e remoção forçada de comunidades de áreas que atualmente ocupam". Elas reclamam da falta de debate e
transparência quanto aos objetivos do projeto.

(…)

No caso do ProSavana, o receio é de que multinacionais do agronegócio tomem áreas para promover monoculturas de milho, soja, algodão e cana de açúcar, entre outras), aniquilando pequenas lavouras de subsistência e criando uma massa de trabalhadores sem terra.
Cerca de 70% da população moçambicana dependem da agricultura.


"A sociedade civil foi ignorada até agora. O envolvimento de agricultores é fundamental, pois são a base do país. Se não há diálogo, não há solução para o problema", diz Anabela Lemos, da organização moçambicana Justiça Ambiental.

O programa ainda está na fase inicial. Sua origem remonta a 2009, quando foi assinada uma parceria envolvendo Brasil, Japão e Moçambique de "assistência para produção agrícola" pelo pais africano.
O Brasil vivia então o auge de sua política externa de apoio à África, marca registrada do governo Lula.
Desde então, o governo brasileiro já investiu no projeto US$ 13,7 milhões, por meio da ABC (Agência Brasileira de Cooperação) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). O Japão aportou outros US$ 23,8 milhões.

Mas o programa, que deveria estar operando neste ano, ainda não decolou.
Para os opositores do projeto, a grande ameaça é que seja criada uma situação de dependência dos pequenos agricultores com relação às grandes empresas.

O programa não prevê aquisições diretas de terra, mas esquemas de "cultivo por contrato", em que agricultores receberiam empréstimos para produzir determinada cultura para exportação.

Entidades temem que produtores caiam numa espiral de endividamento e deixem de produzir alimentos vitais para sua subsistência, contribuindo para um ciclo de fome e pobreza.

"O ProSavana não vai alimentar os moçambicanos nem as comunidades do corredor de Nacala. O objetivo é explorar a terra e impulsionar exportações. Isso vai causar e já está causando conflitos sociais", afirma Augusto Mafigo, presidente do sindicato dos produtores rurais de Moçambique.
Para João Mosca, economista da Universidade Politécnica de Maputo, "pode haver uma agenda invisível buscando objetivos que são diferentes dos declarados".

(…)

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Author:MozambiqueKaihatsu
「モザンビーク開発を考える市民の会」の公式サイトへようこそ!本サイトでは、モザンビークの草の根の人びとの側に立った現地・日本・世界の情報共有を行っています。特に、現地住民に他大な影響を及ぼす日本のODA農業開発事業「プロサバンナ」や投資「鉱物資源開発」に注目しつつ、モデルとされるブラジル・セラード開発についての議論も紹介。国際的な食・農・土地を巡る動きも追っています。

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